10. CULTURA 31.7.13

1. HUMOR - COMO FAZER BARULHO NA INTERNET
2. MSICA - NO BALANO DE DORA
3. LIVROS - O DESABAFO DE ORSON WELLES
4. EM CARTAZ  CINEMA - ENCONTROS EM OKLAHOMA
5. EM CARTAZ  LIVROS - ABSURDO COTIDIANO
6. EM CARTAZ  EXPOSIO - FRICA CONTEMPORNEA
7. EM CARTAZ  MSICA - UM GRANDE AX PARA DORIVAL CAYMMI
8. EM CARTAZ  TEATRO - UM SALTO PARA O SUCESSO
9. EM CARTAZ  AGENDA - FILE/UMA RUA SEM VERGONHA/ORATRIOS

1. HUMOR - COMO FAZER BARULHO NA INTERNET
Sucesso na rede, o carioca Felipe Neto lana manual para se dar bem no filo do humor digital e acredita que faz parte de uma nova gerao de artistas, mais pragmticos
Mariana Brugger

No  novidade que a internet est se tornando uma fbrica de novos talentos e tambm uma mina de dinheiro, especialmente na rea do humor. Mas a receita para se destacar em meio a milhes de vdeos provenientes dos quatro cantos do mundo ainda  desconhecida. Com um nico canal no site YouTube e 48 esquetes postados, o carioca Felipe Neto, 25 anos, conseguiu acumular mais de 175 milhes de visualizaes, resultado de dar inveja em qualquer pop star. Ele no tem frmulas, mas sabe provocar barulho na rede. Acham que eu sou um gnio por criticar os adolescentes no ambiente que eles dominam (internet), mas no  verdade. Sei que eles querem ouvir isso, diz o humorista criador do canal No Faz Sentido, da produtora Parafernalha e da primeira network brasileira do YouTube, a Paramaker. O sucesso o levou a participaes no Globo Esporte e ao canal por assinatura Multishow, onde tem um programa.

VIRAL - Felipe Neto (ao centro), com a equipe do Parafernalha: 175 milhes de visualizaes

Segundo Neto, os vdeos que se tornam virais no Brasil sempre trazem uma viso crtica dos acontecimentos. As dicas do jovem expert esto no livro No Faz Sentido  Por Trs da Cmera (Casa da Palavra), com lanamento em agosto. Um dos precursores do profissionalismo no humor digital, ele acredita que o YouTube est criando uma nova leva de profissionais de entretenimento, bem pragmticos: tm uma ideia e a executam logo, sem muita censura. Seus primeiros vdeos falavam de assuntos que o incomodavam, como os modismos de adolescentes. Depois da reao de fs raivosos  como so, normalmente, os internautas , ele aprendeu que h males que vm para o bem, mesmo na rede. Ou seja,  preciso provocar para ser visto, e vale at a provocao negativa. 

Os posts crticos, ensina ele, tambm divulgam o seu contedo. H um excesso de raiva nos que fazem comentrios pelo fato de estarem protegidos pelo anonimato. Mas as pessoas esto aprendendo a fazer crticas mais fundamentadas, diz ele. 

Manter-se engraado e surpreendente sempre foi a sua maior preocupao  e essa  outra dica. Ele pretende dar ponto final no No Faz Sentido, provavelmente este ano, embora no especifique a data. Em compensao, j est gestando o novo projeto da network, que cresce exponencialmente. Criada h oito meses, a Paramaker superou em 300% as projees empresariais.


2. MSICA - NO BALANO DE DORA
A cantora Dora Vergueiro promove um encontro de geraes em disco mais leve, que no se afasta do calor dos ritmos brasileiros
Ana Weiss

Dora Vergueiro  uma mulher inquieta. Mas, para gravar seu quarto lbum, que leva apenas o seu nome, baixou o ritmo e, em alguns momentos, a voz. Quis fazer um trabalho leve, que falasse de amor e traduzisse esse momento mais recolhido da minha vida, diz ela. Buscou isso em canes antolgicas, eternizadas pela voz de gigantes como Cartola (Meu Drama) e Clara Nunes (Ijex), e em composies recm-sadas do forno, de sua autoria e de parceiros como Toquinho. A seleo foi feita com o corao por Dora e pelo msico e produtor do CD, Marlon Sette, que d a graa de seu trombone nas faixas Vento Leste (de Dora e Toquinho) e De Ponta Cabea (de Sette e Rog).

VIDA NOVA - Nascimento da filha Maria marca a fase atual da cantora, ex-apresentadora do SporTV

Filha do tambm compositor Carlinhos Vergueiro  coautor de boa parte do novo repertrio , a cantora gravou o primeiro CD aos 20 anos de idade. Nesse tempo, tornou-se apresentadora de tev e ganhou programas de rdio, em paralelo aos shows e lanamentos. H dois anos, pouco antes de comear a pensar no novo disco, deu  luz Maria, segunda filha e uma das razes da fase mais voltada para dentro. Amei fazer tev, mas agora quero me dedicar s  msica e  maternidade, afirma Dora, que acaba de fazer 37 anos.

"A PRESENA FORTE DOS METAIS NO CD leva AS PESSOAS A FAZER UMA RELAO COM A MSICA DOS ANOS 1970 E 1980"

Os temas romnticos e a interpretao mais sussurrada do novo trabalho no representam uma ruptura do balano danante que marca a produo anterior da cantora. Pelo contrrio, o CD  antes de tudo uma reunio de ritmos brasileiros, com levada alegre e livre que se faz presente em faixas como Mame Oxum, interpretada numa espcie de colagem com Ijex. Essa msica nasceu no chuveiro h alguns anos. Entrei no banho e sa com ela inteira, pronta, diz Dora, que a princpio nem atentou para o seu parentesco com a cano em que o baiano Edil Pacheco homenageia o bloco carnavalesco Filhos de Gandhi. Com shows de lanamentos do disco no dia 8 de agosto, no Miranda (Rio de Janeiro), e no dia 22, no Tom Jazz (So Paulo), a cantora vai mostrar que mesmo falando de romance no deixa ningum sentado.


3. LIVROS - O DESABAFO DE ORSON WELLES
Em conversas inditas gravadas nos trs ltimos anos de sua vida, o diretor de "Cidado Kane" faz fofocas envolvendo Marilyn Monroe e Greta Garbo e ataca dolos como Woody Allen e Charles Chaplin
Ivan Claudio

Sempre brilhante em cena, o comediante Charles Chaplin mostrava-se tolo e mesquinho quando o assunto era a defesa de seus interesses. No muito diferente, mesmo um shakespeariano como sir Laurence Olivier tinha l suas mazelas. Vaidoso ao nvel da estupidez, era no fundo um apaixonado por si prprio. Ainda assim eram grandes atores, o contrrio de Ingrid Bergman, que perto deles, no atuava propriamente: fazia apenas boas poses para a cmera. No mesmo patamar estaria Humphrey Bogart, que, apesar da formao intelectual, nunca ultrapassou a condio de intrprete de segunda categoria. Essas opinies sobre alguns dos maiores mitos da poca de ouro de Hollywood soariam como puro disparate caso no tivessem sado da boca de um dos grandes gnios do cinema americano, o cineasta Orson Welles. O diretor de Cidado Kane desancou muitos amigos de profisso em conversas informais com um desconhecido cineasta que se tornara seu confidente. Entre 1983 e 1985, quando Welles foi encontrado morto em seu quarto com uma mquina de escrever sobre a barriga, os dois marcaram ponto no restaurante Ma Maison, em Beverly Hills. Aos 68 anos e fazendo uso de uma cadeira de rodas, o ex-enfant terrible no conseguia dinheiro para realizar seus filmes e muito menos atuar ou fazer comerciais  estava com a carreira acabada. Mas seu sarcasmo e provocao continuavam afiados. Guardadas durante trs dcadas numa empoeirada caixa de sapatos, as 40 fitas foram transcritas e publicadas na semana passada nos EUA no livro My Lunches with Orson  Conversations Between Henry Jaglom and Orson Welles (Meus Almoos com Orson  Conversas entre Henry Jaglom e Orson Welles).  o seu desabafo derradeiro sobre o ambiente milionrio que fez a sua fama e depois lhe fechou todas as portas.

Welles tinha mesa cativa no Ma Maison, onde se destacava dos frequentadores pela presena extica e a voz tonitruante em contraste com o latido agudo da poodle negra, sempre a postos em seu colo. Entre um prato e outro, falava sobre tudo  poltica, notcias do momento, o inevitvel cinema e, especialmente, os caprichos de astros e produtores. Nessas horas, sua lngua revelava-se mais perigosa que as mordidas de Kiki. At entendo a distncia que os estdios mantm de mim. Por que no o fariam? Nunca lhes proporcionei grandes lucros, disse sobre ser abandonado por Hollywood. Ressentido em sua posio de marginal chique, atacava os bem-sucedidos comercialmente, caso de Woody Allen, em cujos filmes no via qualquer valor artstico. Ele tem a doena chapliniana, aquela combinao de arrogncia e timidez que me faz ranger os dentes. Allen odeia a si prprio e ao mesmo tempo se adora.  uma situao, no mnimo, contraditria.

A BELA E A FERA - Orson Welles e a sua segunda mulher, Rita Hayworth: para o vaidoso cineasta, ela teria feito de tudo para que reatassem o casamento

A lembrana de Chaplin fazia todo sentido, j que o ator-clown o havia passado para trs na produo do filme Monsieur Verdoux, no o creditando pela autoria do roteiro (o comediante o comprou por US$ 1,5 mil e atribui a Welles apenas a inspirao do filme). Chaplin estava sendo acusado de plgio por O Grande Ditador e me disse que, para reforar sua defesa, deveria ser o autor de todos os seus filmes. Garantiu que, terminado o caso, me daria o crdito, diz ele. No o fez e essa  uma das velhacarias que ele aponta no ex-amigo, uma espcie de moeda corrente em um meio em que o poder e o desmando eram reis aos quais nem o entrevistado evitava o papel de vassalo. Veja, por exemplo, o que se passou com a iniciante Marilyn Monroe, antiga namorada do cineasta. Welles diz que ningum dava a mnima para a loira e que, ao apresent-la ao produtor Darryl Zanuck, ele se disps a contrat-la por apenas US$ 125 por semana. Seis meses mais tarde, Darryl estava pagando US$ 400 mil e todos os homens a desejavam, disse ao amigo Jaglom.

Apesar de odiar o seu nariz de beb, Welles foi um notrio sedutor e casou-se com um dos grandes smbolos sexuais de sua poca, a atriz Rita Hayworth, sobre quem fala pouco no livro: diz apenas que ela no gostava de sair de casa. No final dos anos 1940, quando o casamento de cinco anos estava arruinado pela paixo do cineasta por uma jovem italiana, Rita tentou resgatar Welles convidando-o para passar um fim de semana em um hotel s margens do Mediterrneo. Foi at ela em um voo de carga, entre caixas e pacotes, e passou em sua companhia uma noite. Cinco dias aps a sua despedida, Rita casou-se com o milionrio italiano de origem paquistanesa Aly Khan. Segundo Welles, fazia anos que ela queria abandonar a loucura que era o mundo do cinema, um universo movido a vaidade e arrogncia onde o prprio Welles confessa que nunca deveria ter posto os ps.


4. EM CARTAZ  CINEMA - ENCONTROS EM OKLAHOMA
por Ivan Claudio

AmorPleno_site.jpg
O tom espiritual pontua Amor Pleno, novo filme do cineasta americano Terrence Malick, em cartaz no Pas. Como fez em A rvore da Vida, ele trata novamente do relacionamento conjugal num drama em que at as brigas de casais so filmadas de forma contemplativa, reforada pela trilha de msica clssica. O enredo gira em torno de um americano (Ben Affleck) que se apaixona por uma francesa (Olga Kurylenko) e a leva para morar no interior dos EUA, em Oklahoma. O tdio, no entanto, estraga tudo, levando-o a procurar um amor do passado (Rachel McAdams). Malick rodou essa histria ao estilo dos filmes caseiros (mas com esplndida fotografia), pedindo aos atores para atuar sem apoio em dilogos ou roteiro.

+ 5 filmes de Terrence Malick
A rvore da Vida (FOTO)
 Brad Pitt  Mr. OBrien, um rigoroso pai de famlia que vive no interior do Texas nos anos 1950

Alm da Linha Vermelha 
 O relacionamento de um grupo de soldados durante a batalha de Guadalcanal, na Segunda Guerra

O Novo Mundo 
 A histria do Capito Smith (Colin Farrel) e sua paixo pela ndia Pocahontas (QOrianka Kilcher) durante a explorao da Virgnia

Terra de Ningum
 Sobre um casal de namorados que pratica uma srie de assassinatos 

Cinzas no Paraso 
 Ganhou o Oscar de melhor fotografia. O fotgrafo Nstor Almendros se inspirou em telas de Edward Hopper


5. EM CARTAZ  LIVROS - ABSURDO COTIDIANO 
por Ivan Claudio
Consagrado com o romance O Jogo da Amarelinha, de 1963, o escritor argentino Julio Cortzar j era conhecido como grande autor de contos por meio de Bestirio (Civilizao Brasileira), publicado 12 anos antes. Rotuladas como realismo fantstico, as narrativas revelam o absurdo existente na naturalidade do cotidiano. Exemplo  Casa Tomada, que retrata a decadncia da elite argentina ao mostrar dois irmos que moram num solar ocupado aos poucos por estranhos.


6. EM CARTAZ  EXPOSIO - FRICA CONTEMPORNEA 
por Ivan Claudio
Uma frica longe dos esteretipos folclricos  o que se v na exposio Transit _SP (Oca, So Paulo, at 15/9). Foram selecionadas 35 obras de 19 artistas do Mali, frica do Sul, Camares, Angola, Qunia, Marrocos e Nigria, a maioria com reconhecimento internacional.  o caso do angolano Edson Chagas, premiado com o Leo de Ouro na Bienal de Veneza, que critica o consumismo na srie de fotos Oikonomos. Radicado na Inglaterra, o nigeriano Ynka Shonibare comenta as lutas coloniais por meio de manequins sem cabeas.


7. EM CARTAZ  MSICA - UM GRANDE AX PARA DORIVAL CAYMMI
por Ivan Claudio
Dori, Nana e Danilo Caymmi, filhos de Dorival Caymmi, escolheram msicas pouco conhecidas do compositor baiano no disco tributo que abre as comemoraes de seu centenrio de nascimento. Entre as faixas de Caymmi aparecem preciosidades como o samba Quando Eu Durmo e a cano praieira Sereia, entremeada com Rainha do Mar. A seleo nasceu da consulta do Cancioneiro da Bahia, livro publicado por Caymmi em 1947, mas o disco traz canes que ganharam projeo posterior, como Vamos Falar de Teresa, tema da minissrie Teresa Batista, e Retirantes, escolhida como abertura da novela Escrava Isaura.


8. EM CARTAZ  TEATRO - UM SALTO PARA O SUCESSO
por Ivan Claudio
Visto por mais de oito milhes de pessoas, o musical Billy Elliot (Credicard Hall, So Paulo, a partir de 2/8) chega ao Brasil em verso americana com credenciais de dez prmios Tony. A montagem inclui trs dos quatro atores selecionados para viver o protagonista de 12 anos (Drew Minard, Tobin Mitchell e Ty Forhan) e toda a parafernlia usada para contar a histria do garoto que esconde da famlia e da comunidade mineira em que vive o seu fantstico talento para a dana. A msica  de Elton John e a direo de Stephen Daldry, que tambm assinou o filme indicado a trs Oscar.


9. EM CARTAZ  AGENDA - FILE/UMA RUA SEM VERGONHA/ORATRIOS
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

FILE
 (Centro Cultural Fiesp, So Paulo, at 1o/9) 
 O festival rene instalaes, animaes e games. Destaque para o File Led Show, do grupo francs 1024 architecture

UMA RUA SEM VERGONHA
 (Multishow, segunda-feira, 23h15) 
 Srie nacional sobre o cotidiano de cinco prostitutas que trabalham na zona zul do Rio de Janeiro. Produo da Conspirao

ORATRIOS
 (MNBA, Rio de Janeiro, at 18/8) 
 A exposio Relquias do Barroco Brasileiro traz objetos devocionais e imagens sacras pertencentes ao Museu do Oratrio

